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Sexta-feira, 15 de Fevereiro de 2008
Suspensão

O blogue COURA: magazine está suspenso por tempo indeterminado. A todos os amigos e visitantes deixo o meu sentido apreço e eterno agradecimento.

 



publicado por Jofre Alves às 18:01
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Terça-feira, 16 de Outubro de 2007
Adriano Correia de Oliveira (1942+1982)

TROVA DO AMOR LUSÍADA, com música de Adriano Correia de Oliveira e de António Portugal, letra de Manuel Alegre, e interpretação de Adriano Correia de Oliveira. Para ver se no nosso país ainda «nascem os ventos e a liberdade». Vídeo de Jofre de Lima Monteiro Alves.

                          


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publicado por Jofre Alves às 20:05
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Quarta-feira, 22 de Agosto de 2007
Vídeo PADORNELO EM FESTA: Loureiro, Verde Loureiro

Segundo vídeo do grupo espontâneo a cantar e a tocar canções tradicionais, estando presentes, entre outros, Eduardo Daniel Cerqueira, Quim Sá, José Luís Barbosa, Aristides de Sá Peres, Abel Lima e Amâncio Barbosa Lourenço, gravado em Padornelo a 18 de Março de 2007. Para ver o vídeo carregue duas vezes no botão.


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publicado por Jofre Alves às 01:01
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Quarta-feira, 15 de Agosto de 2007
Vídeo: PADORNELO EM FESTA

Um grupo espontâneo a cantar e a tocar canções tradicionais, estando presentes, entre outros, Eduardo Daniel Cerqueira, Quim Sá, José Luís Barbosa, Aristides de Sá Peres, Abel Lima e Amâncio Barbosa Lourenço, em 18 de Março de 2007. Para ver o vídeo carregue duas vezes no botão.


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Quarta-feira, 25 de Julho de 2007
Vídeo: Capela das Angústias

Capela de Nossa Senhora das Angústias, situada no lugar das Angústias, freguesia de Padornelo, concelho de Paredes de Coura, fundada em 1912 pelo benemérito José Narciso Monteiro. Para ver o vídeo, feito a partir de fotografias, carregue duas vezes no botão.


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Sábado, 31 de Março de 2007
COURA LÍRICA: Antologia Poética de Autores Courenses - LXXV

FRANCISCO PIRES ZINÃO

(Carreço, 1786 + ?)

 

Caiador; poeta popular.

 

Nova Carta do Zinão para o Narciso – Terceira Parte

 

Lá se põe um avental

Com folhos de estopa fina,

Servindo de Bambolina

Em uma fresta colateral;

 

Não parece muito mal

Naquela ocasião,

Mas no fim da função,

Depois dos quartos ganhados

Juntos os cortinados,

Não valem um patacão.

 

Rogaste-te para em Infesta

Fazeres o descimento,

Pediste um regimento

Para figurares na festa:

 

Senhores, que mania esta!

Credo!... arrenego te eu!...

Nunca tal aconteceu!

Serem mais os que figurejam,

Que as pessoas que vejam!...

O Narciso endoideceu.

 

És professor de latim,

Mestre de primeiras letras,

Mas poesia não penetras,

Ficas abaixo de mim:

 

Serei firme até ao fim;

Tenho certa presunção

Em despicar o Sião:

Saúde e paz ao Narciso,

E, com mais algum juízo,

Lhe apetece o Zinão.

 

 



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Sexta-feira, 30 de Março de 2007
COURA LÍRICA: Antologia Poética de Autores Courenses - LXXIV

FRANCISCO PIRES ZINÃO

(Carreço, 1786 + ?)

 

Caiador; poeta popular.

 

Nova Carta do Zinão para o Narciso – Segunda Parte

 

Sabes tu a arquitectura

Necessária aos armadores?

Dirás que sim; e que em clamores

Fazes também figura;

 

Precisa-se ter ventura

Para juntar tantos farrapos,

Quatro lençóis quatro trapos,

Um arame ferrugento,

Vira-se o roto para dentro,

E assim se ganham os quartos.

 

As colchas e os lençóis

Também se pedem emprestados,

E servem de cortinados

Com um papel aos caracóis;

 

Lá se põe dois girassóis

Para não ficar tudo liso;

E se é muito preciso,

Também se põe um galão;

Mas quantos dele dirão:

«São damascos do Narciso.»

 

 



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Quinta-feira, 29 de Março de 2007
COURA LÍRICA: Antologia Poética de Autores Courenses - LXXIII

FRANCISCO PIRES ZINÃO

(Carreço, 1786 + ?)

 

Caiador; poeta popular.

 

Nova Carta do Zinão para o Narciso – Primeira Parte

 

Pensas, que em ser armador,

E do rol dos comediantes

Eram motivos bastantes

Para seres professor?

 

Mas de cada vez pior

Te corre tudo às vezes;

Já se vê que teus fregueses

Mal podiam informar;

Porque naquele lugar

Não estudam entremezes.

 

É preciso ter respeito,

Trazer o rosto iracundo,

Mostrando a todo o mundo

Cara de juiz de direito:

 

Pode repreender a eito

Os estudantes que trouxer;

E se assim não fizer,

Deles não será benquisto;

Irás melhor fazendo isto,

Segundo o meu parecer.

 

Aquilo não é armar

Altares, anjos e andores;

Os lugares de professores

Não se arranjam a glosar;

 

É preciso estudar,

Não perder nenhuns instantes,

Fugir de comediantes,

Deixar de armar teatros,

Andar sempre de sapatos,

Ter uns coturnos brilhantes.

 

 



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Terça-feira, 27 de Março de 2007
LINGUÍSTICA DE COURA: Nótulas Sobre o Falar de Paredes de Coura – XLVII
PRONÚNCIAS DIALECTAIS

Continuámos hoje com mais alguns vocábulos, que são iguais aos da linguagem comum, na forma e significado, divergindo somente pela pronúncia que lhes pertence e que são causa de desfiguração fonética.

 

JOEILHOjoelho.

 

LIBROlivro.

 

LÓIJEloja. A mudança da vogal final resulta de ana­logia com os sufixos em -gem que se proferem desnasalados, -ge.

 

MAÇÃOmaçã.

 

MANJORmajor: nasalação provocada pelo fonema inicial; veja-se:

mim < mi,

mãe < madre,

muito (mũito) < multo,

nem < ne < nec,

mancha < macula,

monco < mucu,

mensagem < message.

 



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Domingo, 25 de Março de 2007
50 Anos da Edição de “A Casa Grande de Romarigães” IX

 Depoimentos Sobre

“A Casa Grande de Romarigães”

 

Aquilino quase parece fazer excepção a essa regra, porquanto, ao surgir, por um triz que não deu logo a impressão de alguém que fizera a sua evolução a coberto dos olhos do público.

 

Dir-se-ia que, por pudor, não quisera aparecer, antes de se considerar sui juris.

 

Com efeito, o escritor da Casa Grande de Romarigães estava quase inteirinho na obra com que fez a sua estreia literária diante do mundo: o génio da prosa plástica ao serviço do descritivo, a euforia verbal, a atenção ao rústico e à cidade, tudo que hoje admiramos nele, já muito se entreadvinha no Jardim das Tormentas, o seu jacta est alea numa das mais brilhantes carreiras literárias em língua portuguesa, de aquém e de além-mar.

 

Sendo um nababo do vocabulário, ele só por si uma orquestra inteira, Aquilino não é, todavia, um retórico, no sentido pejorativo desta palavra.

 

Só por excepção não torce o pescoço à eloquência postiça, aquela que constantemente dobra o sino grande da ênfase.

 

HENRIQUE FORTUNA, jornal VOZ DO SUL

 

 


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Sábado, 24 de Março de 2007
Cozinha Tradicional do Minho IX
 Caldo da Aldeia

 

Género: sopa.

 

Quantidade: para 4 pessoas.

 

Ingredientes:

250 gramas de feijão branco; 2 colheres de sopa de azeite; 100 gramas de toucinho; 1 cebola; 1 couve lombarda; 1 penca; 2 cenouras; 2 alhos franceses.

 

Modo de fazer:

Ponha o feijão de molho de um dia para o outro.


Escorra e coloque-o numa panela coberta com água fria.


Leve a cozer com azeite e com a cebola muito picada.


Se precisar de mais água adicione-a quente quando necessária.


A meio da cozedura junte o toucinho e tempere de sal.


Entretanto arranje os legumes, cortados um pouco grossos.


Quando o feijão estiver cozido reduza metade em puré, reservando o outro que irá juntar-se com os legumes.


Leve ao lume e quando levantar fervura junte os legumes.


Rectifique os temperos e deixe cozer.

 

                                           


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Sexta-feira, 23 de Março de 2007
Vídeo da Serra do Corno de Bico

Para ver um vídeo captado na Serra do Corno de Bico, na Área da Paisagem Protegida do Corno de Bico, concelho de Paredes de Coura, por A. M. Barros, em Fevereiro de 2007, carregue duas no botão:


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Quinta-feira, 22 de Março de 2007
COURA LÍRICA: Antologia Poética de Autores Courenses - LXXII

FRANCISCO PIRES ZINÃO

(Carreço, 1786 + ?)

 

Caiador; poeta popular.

 

Carta do Zinão para o Narciso –

Terceira Parte

 

Abaixa o teu estandarte,

Que eu quero içar o meu,

Em farrapos ponho o teu,

Subindo ao baluarte;

 

Com ter só da minha parte

Colher, tropa, e martelos,

São meus discursos mais belos

Que os teus nunca serão;

Tu só pregas de missão,

Como os frades de Mozelos.

 

Nem são odes, nem sonetos,

Nem ao menos quadras são;

É um péssimo sermão

Com milhões de desacertos;

 

Dizes tantos desconcertos,

Que os não posso construir,

Quando vejo, faz-me rir,

Aquele grande roteiro;

Narciso José Monteiro,

Põe-te pronto para fugir.

 

 



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Quarta-feira, 21 de Março de 2007
COURA LÍRICA: Antologia Poética de Autores Courenses - LXXI

FRANCISCO PIRES ZINÃO

(Carreço, 1786 + ?)

 

Caiador; poeta popular.

 

Carta do Zinão para o Narciso – Segunda Parte

 

Pediu-me pois com efeito,

Encontrando-me em Valença,

Uns versos em recompensa

Aos que tu lhe tinhas feito;

 

Eu que uma noite me deito

Perdi o sono, e então

Fiz naquela ocasião

Umas décimas de improviso;

Não deves pois, oh Narciso

Conspirar contra o Zinão.

 

Puxa pela tua espada,

Que eu recebo a minha.

E com ela na bainha

Darei maior cutilada;

Bem vês que não fazes nada

Com o poeta Zinão;

 

Vou despicar o Sião,

Porque é um bom rapaz;

Disso sou eu capaz,

Quer tu creias, quer não.

 

[Continua amanhã]

 

 



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Terça-feira, 20 de Março de 2007
COURA LÍRICA: Antologia Poética de Autores Courenses - LXX

FRANCISCO PIRES ZINÃO

(Carreço, 1786 + ?)

 

Caiador; poeta popular.

 

Carta do Zinão para o Narciso – Primeira Parte

 

Recebi um edital

Feito a Joseph Sião,

Enviado ao Zinão

Por um poeta jovial;

 

Tem um estilo real,

Porém desarroazado;

É dos de Coura gabado,

E doutor de cabeleira,

Que até mesmo na Ribeira

Tem sido elogiado.

 

Eu não sei porque razão,

Narciso José Monteiro,

Saíste do teu ninheiro

Para escrever contra o Zinão!

 

A culpa foi do Sião,

Que eu por mim nada sabia,

O qual me disse um certo dia,

Que ficara um cão dentro

Da capela do Livramento

Lá da tua freguesia.

 

[Continua amanhã]

 

 



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Segunda-feira, 19 de Março de 2007
LINGUÍSTICA DE COURA: Nótulas Sobre o Falar de Paredes de Coura – XLVI
PRONÚNCIAS DIALECTAIS

Continuámos hoje com mais alguns vocábulos, que são iguais aos da linguagem comum, na forma e significado, divergindo somente pela pronúncia que lhes pertence e que são causa de desfiguração fonética.

 

IMem. Como preposição proclítica, sujeita-se, por fonética sintáctica:

«Onte bi-te im Padornelo» = «ontem vi-te em Padornelo».

 

IMBARRARembarrar, esbarrar, topar, embater em qualquer coisa.

 

IMBUDEembude. Do lato imbutum.

 

IMPANCARempancar.

 

IMPÈCERempecer.

 

IMPEINHOempenho.

 

INCABARencabar.

 

INCÃUTOenquanto.

 

INDREITARendireitar.

 



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Domingo, 18 de Março de 2007
50 Anos da Edição de “A Casa Grande de Romarigães” VIII
 Depoimentos Sobre “A Casa Grande de Romarigães”

 

(...) a abertura de A Casa Grande de Romarigães [afirma-se] como uma cosmogonia que vem questionar a narrativa das origens vetero-testamentária. Com efeito, se no primeiro Livro do Pentateuco a criação do universo e do homem é essencialmente divina, aquilo que se salienta em A Casa Grande de Romarigães é o desaparecimento da divindade e a emer­gência da própria força genesíaca, criadora, da Natureza de que o Homem se torna participe.

 

Se no princípio era Deus, agora no princípio é a Terra. A criação do homem ao sexto dia, segundo a narrativa bíblica, tem aqui como paralelo o homem como sexto elemento interveniente no processo cosmogónico; (...)

 

À semelhança do Livro do Génesis, onde a narrativa das origens precede a História dos Patriarcas (...) aqui, as páginas genesía­cas funcionam como prólogo à história dos senhores de Romarigães.

 

ISABEL CRISTINA de Brito Pinto MATEUS, investigadora do Centro de Estudos Humanísticos da Universidade de Braga

 


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Sábado, 17 de Março de 2007
Cozinha Tradicional do Minho VIII
 Rancho à Moda do Minho

 

Género: sopa.

 

Quantidade: para 4 pessoas.

 

Ingredientes:

350 gramas de grão; 4 batatas grandes; 120 gramas de macarrão; 250 gramas de mão de vitela; 250 gramas de toucinho; 250 gramas de chouriço de carne minhoto; 250 gramas de carne de vaca para cozer; 1 colher de sobremesa de colorau; 1 colher de sobremesa de banha de porco; 2 dl de azeite; 2 cebolas; sal; pimenta; água.

 

Modo de fazer:

Coze-se o grão e as carnes em água suficiente, temperada com sal e pimenta.

 

Entretanto faz-se um refogado com a banha, o azeite e as cebolas picadas.

 

Depois das carnes estarem cozidas, retiram-se da panela e desfazem-se.

 

Junta-se novamente a carne desfeita ao grão, assim como o refogado, as batatas cortadas em bocados pequenos e o macarrão.

 

Rectificam-se os temperos.

 

Observações:

O grão deve estar bem demolhado.

 

Deve-se servir bem quente.

 

A consistência deve ser de forma a manter uma colher de pau em pé.

 

Nota:

Este é o verdadeiro Rancho à Moda do Minho, que na sua origem era uma sopa consistente, de entulho, para se comer à colher.

 


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Sexta-feira, 16 de Março de 2007
Vira do Minho

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Quinta-feira, 15 de Março de 2007
CANCIONEIRO DE COURA - XLV

Esses teus olhos menina

São dois navios de guerra;

Quando vão caminho fora

Botam faíscas para a terra.

 

Esta carta vai sem porte

Remetida a quem quer bem;

Tem crime de má sorte

Se nela bulir alguém.

 

Esta casa está forrada

De madeira miudinha;

Dentro dela se passeia

Alguém que pode ser minha.

 

Esta moda do vai tu

Quem a havia de inventar?

Os presos da cadeia…

Estão à sombra, tem vagar.

 



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Quarta-feira, 14 de Março de 2007
COURA LÍRICA: Antologia Poética de Autores Courenses - LXIX

FRANCISCO PIRES ZINÃO

(Carreço, 1786 + ?)

 

Caiador; poeta popular.

 

A POLÉMICA ENTRE O ZINÃO E O NARCISO

 

Reacção popular: Narciso José Monteiro, um general alambazado – Segunda Parte

 

Começa a dar empurrões,

À porta de quando em quando,

Porém sempre desviando

O vulto, ao mesmo tempo

Abre-se a porta para dentro,

Fica a tropa espreitando.

 

Assim ficam emboscados,

Nenhum deles se mexia,

Para ver quando saía

A tal súcia de malvados:

 

Narciso perde cuidados,

Dá um passo lateral,

Eis que sai o animal,

Cheio de fome de dentro;

Diz a tropa a um tempo:

«Meu comandante, e que tal!»

 

Tudo foi atrás do cão,

Chuços, armas e chanfalhos;

No fim de tantos trabalhos,

Destroçou o batalhão;

 

Francisco Pires Zinão

Julgou que era acertado,

Ser o facto publicado,

Para que o Narciso tivesse

Os louvores que merece

Um general alambazado.

 

 



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Terça-feira, 13 de Março de 2007
COURA LÍRICA: Antologia Poética de Autores Courenses - LXVIII

FRANCISCO PIRES ZINÃO

(Carreço, 1786 + ?)

 

Caiador; poeta popular.

 

A POLÉMICA ENTRE O ZINÃO E O NARCISO

 

Reacção popular: Narciso José Monteiro, um general alambazado - Primeira Parte

 

Amotina as vizinhanças

Este pequeno ladrante

Dá-se parte num instante

Às tropas das ordenanças,

Este batalhão guerreiro;

 

Escolhem para brigadeiro,

Conforme o povo queria,

Lá da mesma freguesia

Narciso José Monteiro.

 

Este forma a sua tropa,

Divide-a em secções.

Manda pôr por divisões

Cada um à sua porta:

 

Era tão grande a derrota,

Que o cão lá dentro fazia,

Que nenhum se atrevia

Ao pé da porta chegar,

Sem primeiro examinar

Quem tal bulha causaria.

 

O brigadeiro diz: «São ladrões,

Que andam dentro da capela;

Estejam todos com cautela,

Aqui se mostram os pimpões.»

 

 

[Continua amanhã]

 

 



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Segunda-feira, 12 de Março de 2007
LINGUÍSTICA DE COURA: Nótulas Sobre o Falar de Paredes de Coura – XLV
PRONÚNCIAS DIALECTAIS

Continuámos hoje com mais alguns vocábulos, que são iguais aos da linguagem comum, na forma e significado, divergindo somente pela pronúncia que lhes pertence e que são causa de desfiguração fonética.

 

GÃI'TCHOgancho.

GÀNHARganhar. O a pretónico aberto deve ser persistência dos dois aa arcaicos de gaanhar ou guaanhar, bem como a forma arcaica de gado (gaado), que se julga recebida do castelhano antigo.

GAOLAgaiola.

GARDARguardar.

HABER – haver.

HOIJEhoje.

 



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Domingo, 11 de Março de 2007
50 Anos da Edição de “A Casa Grande de Romarigães” VII

  Depoimentos Sobre

“A Casa Grande de Romarigães”

 

A Casa Grande de Romarigães é, a meu ver, uma obra excepcional: as suas primeiras páginas do I capítulo, que "ficcionam" a génese de uma floresta, constituem um texto que ouso considerar um os mais belos de toda a literatura portuguesa de todos os tempos.

 

Maria FERNANDA de Faria e Castro BOTELHO (1926 - ) [poetisa, romancista e novelista].

 


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Sábado, 10 de Março de 2007
Cozinha Tradicional do Minho VII
 Caldo de Farinha do Alto Minho

 

Género: sopa.

 

Quantidade: para 4 pessoas.

 

Ingredientes:

3 dl de água; 200 gramas de feijão; 100 gramas de farinha de milho; 6 folhas médias de couve-galega; 50 gramas de unto de porco; sal a gosto.

 

Modo de fazer:

Coze-se o feijão numa panela que não seja de esmalte ou pote, adiciona-se o unto de porco e as couves esfarrapadas, que devem cozer.


Por fim, junta-se a farinha aos poucos, mexendo sempre com o forcado de loureiro (ou colher de pau).


Deixa-se cozer a farinha, mexendo de vez em quando para não pegar, durante 15 minutos.

 

 

                                          


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Sexta-feira, 9 de Março de 2007
Vídeo: BELEZA FEMININA DE PAREDES DE COURA

Para ver um vídeo sobre a beleza feminina de Paredes de Coura, carregue duas vezes no botão:


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Quinta-feira, 8 de Março de 2007
CANCIONEIRO DE COURA - XLIV

Erva-cidreira no monte

Nasce ao pé duma serra.

Moças honradas no mundo

É novidade na terra.

 

Escrevi na branca areia

O retrato do meu bem;

Escrevi e fugi logo

Antes que visse alguém.

 

Escrevi nas pedras do rio

Argemim da castidade.

Se me tens algum amor

Peço-te que nunca acabe.

 

Esse corpo é um limão,

Esses braços um limoeiro;

Esses teus olhos prisões

Onde eu estou prisioneiro.

 



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Quarta-feira, 7 de Março de 2007
Paredes de Coura na GRANDE ENCICLOPÉDIA PORTUGUESA E BRASILEIRA - XX

(Notas de Jofre de Lima Monteiro Alves)

FORMARIZFazem parte desta freguesia[1] os lugares de: Agrela[2], Ave­leda[3], Barreiro[4], Boavista[5], Burgo[6], Castelo, Codessal[7], Covi­nha[8], Estrada[9], Encourados[10], Lages[11], Lourinha[12], Maceira[13], Mantelães[14], Marnota[15], Monte[16], Outeiro[17], Ponte-Nova[18], Por­telinha[19], Reirigo[20], Ribeiro[21], Sabugueiro[22] e Vale[23].

 

GRANDE ENCICLOPÉDIA PORTUGUESA E BRASILEIRA, volume XI, Editorial Enciclopédia, Lisboa, p. 639.

 



[1] Pertencem a esta freguesia as seguintes edificações religiosas: igreja matriz de S. Pedro de Formariz, reconstruída em 1871; capela de S. João e Santa Ana, no lugar de Reirigo; capela de S. Sebastião; capela de Nossa Senhora de Irijó, no monte de Irijó; capela de Nossa Senhora do Livramento; capela de Nossa Senhora das Neves ou da Peneda, na extinta “Casa de Boi-a-Monte”; capela de Nossa Senhora da Penha de França, na antiga “Casa e Quinta do Souto de Além”; capela de S. João Baptista, na “Quinta de Mantelães”; capela de Nossa Senhora dos Remédios, adstrita à “Casa do Paço”; capela de S. Miguel, anexa ao “Palacete de Mantelães”, que foi do Conselheiro Miguel Dantas.

 

[2] Agrela é topónimo agrícola vulgarizado, da família de “agro”, do latim agru-, com o sufixo medieval -ella, portanto, a significar um pequeno prédio agrícola.

 

[3] Aveleda, do latim avellana, avelã.

 

[4] Toponímia de «barro», a partir do pré-romano barr-, com o sufixo -eiro, com sentido geológico e hidrológico, portanto, um terreno alagado.

 

[5] Topónimo recente, com sentido evidente.

 

[6] Toponímia do nome comum «burgo», a partir do gótico baurgs, fortaleza, e que está na origem associado a povoações próximas de castelos, de um mosteiro ou de uma catedral, que não será o caso. Geralmente a toponímia associada a esta palavra é deveras complexa, porquanto surge em lugares onde não há memória histórica, documental e arqueológica destes monumentos citados. Para mim, é outra a explicação, evidentemente. Ou a palavra provém doutra de origem pré-romana que se perdeu, ou refere-se a um género de seixos roliços, conhecido por burgalhau.

 

[7] Codessal é o lugar onde cresce em grande quantidade o codesso. Topónimo frequente no Norte e na Galiza, formado a partir do latim cutissu-, que veio do grego kytisos.

 

[8] Toponímia de «cova», a partir do latim cova, com sentido topográfico, portanto, um pequeno coval natural ou causada por mineração.

 

[9] Sentido evidente, onde passa uma via de comunicação.

 

[10] Na base está o latim quadera, da mesma família donde saiu também o nome comum queiró, a urze. A sua evolução foi a seguinte: Quaderatos > Coaerados > Coirados > Courados, a que se juntou por próstese en- < > in-.

 

[11] Topónimo formado a partir do pré-romano lag, e do latim lagena, a significar rochedo, rocha, pedra.

 

[12] Toponímia de “louro”, do latim lauru-, lauretu-, com o causativo -inho.

 

[13] A partir da raiz latina matt-, ou do latim mattiana, a significar o local das árvores produtoras das maçãs.

 

[14] Topónimo raro, pois só conheço este caso, não havendo sequer equivalente na Galiza. Para alguns será o plural de mantelão, o aumentativo de mantel, peça de vestuário. Para outros derivará do genitivo Mantellanis, do nome pessoal dum possuidor. Outra hipótese, aponta para ser um derivado de «montellos», com sentido orográfico de monte, sendo que Mon-, passou a Man-, por influência da terminação.

 

[15] Marnota tem o sentido de terreno alagadiço.

 

[16] Uma fracção deste lugar recebeu o nome de Sião, talvez por influência de Monte Sião.

 

[17] Outeiro, topónimo com sentido topográfico, do latim altariu, ou de altu, com o sentido de alto, mas também significou noutras era, uma casa alta, com um mais andares. A sua evolução processou-se assim: altariu > altairo > autairo > auteiro > outeiro.

 

[18] Ponte Nova, sentido evidente, do latim ponte-.

 

[19] Portelinha, topónimo da família de «porta», do latim porta-, com o diminutivo -ella, donde se formou «portela», com sentido topográfico. Agora com novo diminutivo -inha, para designar uma pequena passagem ou abaixamento entre elevações.

 

[20] A partir do antropónimo Reirigu, nome pessoal de origem germânica.

 

[21] Topónimo frequente e com sentido hidrográfico evidente de curso de água.

 

[22] Topónimo da família de «sabugo», do latim sambucu-, para designar o local onde existe, ou existia, o sabugo, a planta.

 

[23] Topónimo topográfico frequente.

 

 


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Terça-feira, 6 de Março de 2007
CONCURSO DE FOTOGRAFIA DA ACRDP: “UM OLHAR SOBRE PADORNELO”

    A dinâmica Associação Cultural Recreativa e Desportiva de Padornelo vai realizar um importante concurso livre de fotografia denominado “Um Olhar Sobre Padornelo”.

 

    Este interessante acontecimento cultural, tem como objectivo divulgar os aspectos fundamentais ligados aos acontecimentos históricos, culturais, humanísticos e naturais da nossa aprazível localidade, e pretende, deste modo, estimular e enaltecer a sensibilidade artística dos concorrentes, para além de alicerçar o amor e dedicação à freguesia.

 

    O concurso abrange somente fotografias a cores, uma opção limitativa, na medida em que os grandes fotógrafos da actualidade usam preferencialmente a fotografia a preto-e-branco, como é sabido, pela sua elevada qualidade estética, e tem as seguintes divisão temática:

 

a) – Monumentos civis e/ou religiosos de Padornelo;

b) – Paisagem rural de Padornelo;

c) – Pessoas de Padornelo;

d) – Usos, costumes e tradições de Padornelo.

 

    Os eventuais interessados, que esperamos e desejámos, sejam muitos, deverão enviar as suas fotografias para a seguinte morada:

 

Associação Cultural Recreativa e Desportiva de Padornelo

Concurso Fotográfico “Um Olhar Sobre Padornelo“

Lugar da Valinha

4940 – 413 Padornelo

 

    O prazo para as inscrições decorre de 12 de Fevereiro a 12 de Março de 2007.

 

   Todos os trabalhos admitidos a concurso estarão patentes numa exposição a realizar na sede social da A.C.R.D.P., a decorrer de 18 de Março a 1 de Abril de 2007.

 

    Os resultados finais do concurso e os vencedores serão divulgados no dia 17 de Março de 2007, sendo posteriormente divulgados na imprensa e no blogue PADORNELO (padornelo.blogs.sapo.pt).

 


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COURA LÍRICA: Antologia Poética de Autores Courenses - LXVII

FRANCISCO PIRES ZINÃO

(Carreço, 1786 + ?)

 

Caiador; poeta popular.

 

A POLÉMICA ENTRE O ZINÃO E O NARCISO

 

O cão retido na capela do Livramento

 

Ouçam, e sem preguiça,

De Coura um levantamento:

À capela do Livramento

Foi certo freguês à missa;

 

Um cão meteu-lhe cobiça,

E foi também com seu dono:

Na igreja deu-lhe o sono,

Não saiu para fora a tempo,

E ficou fechado dentro,

Sem mais ração nem abono.

 

O cão espera por gente,

Esperou enquanto foi dia,

Mas vendo que anoitecia,

Já não estava mui contente;

 

Começou pois velozmente,

A saída a procurar,

Salta de altar em altar

Este endiabrado cão,

Tudo deitando ao chão,

Fazia o estrondo pasmar.

 



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Segunda-feira, 5 de Março de 2007
LINGUÍSTICA DE COURA: Nótulas Sobre o Falar de Paredes de Coura – XLIV
PRONÚNCIAS DIALECTAIS

Continuámos hoje com mais alguns vocábulos, que são iguais aos da linguagem comum, na forma e significado, divergindo somente pela pronúncia que lhes pertence e que são causa de desfiguração fonética.

 

DEZERdizer. O i átono pretónico tende a ensurdecer.

 

DIde. A preposição de consonantiza a vogal a fim de evitar o hiato, quando seguida de vogal com a qual não se contraia:

«Stou farta di o oubir» = «estou farta de o ouvir».

 

DIDALdedal. Por cruzamento analógico?

 

FUIJOfujo.

 



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Domingo, 4 de Março de 2007
50 Anos da Edição de “A Casa Grande de Romarigães” VI
 Depoimentos Sobre “A Casa Grande de Romarigães”

 

A crónica romanceada da Casa Grande com a sua singular fauna humana e acentuada contrataria dos ambientes em que a mesma se move, exemplifica perfeitamente essa célere capacidade de apreensão das coisas, consubstanciada ali na fidedigna representação do sítio e do que nele há de específico, através da subtil impregnação do vivido com o recriado de que irradia aquele sabor inconfundivelmente minhoto que emana do livro.

 

AQUILINO RIBEIRO MACHADO [engenheiro, ex-presidente da Câmara Municipal de Lisboa, filho do escritor Aquilino Ribeiro].

 


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Sábado, 3 de Março de 2007
Cozinha Tradicional do Minho VI
 CALDO À MINHOTA

 

Género: sopa.

 

Quantidade: para 4 pessoas.

 

Ingredientes:

2 cenouras; 2 nabos; 400 gramas de batatas; 250 gramas de feijão verde; 1 chávena de ervilhas de quebrar; 1 cebola grande; manteiga que baste; sal a gosto.

 

Modo de fazer:

Faz-se com a cebola e a manteiga um bom refogado sem deixar queimar.


Partem-se aos bocadinhos as batatas, cenouras, nabos, feijão verde e as ervilhas, e deita-se tudo no refogado de cebola.

 

Põe-se ao lume uma panela com água temperada de sal, e, quando estiver a ferver, deita-se-lhe o refogado dos legumes, deixando-se apurar a sopa.

 


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Sexta-feira, 2 de Março de 2007
Provérbios e Adágios: A Sabedoria Popular Sobre o Mês de Março

    Março, terceiro mês, recheado em acontecimentos importantes. Neste mês nasceram o Infante Dom Henrique, “o Navegador” (4 de Março de 1394), o pintor Domingos Sequeira (10 de Março de 1768), o escritor Camilo Castelo Branco (16 de Março de 1825), o historiador Alexandre Herculano (28 de Março de 1810).

 

    Mas também faleceram algumas das mais ilustres figuras, como o poeta Pedro Homem de Melo (5 de Março de 1984), a pintora Helena Vieira da Silva (6 de Março de 1992), o rei D. João VI, monarca do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves (10 de Março de 1826), a poetisa Natália Correia (16 de Março de 1993).

 

    Convém assinalar mais alguns eventos políticos de grande importância que tiveram este mês como palco privilegiado. A 6 de Março de 1921 foi oficialmente fundado o Partido Comunista Português, sucessor da Federação Maximalista Portuguesa; em Março de 1962 as academias de Lisboa e Coimbra fizeram a famosa greve estudantil, que abalou os alicerces do regime salazarista; o Golpe das Caldas da Rainha, a 16 de Março de 1974, foi o pronuncio do 25 de Abril; a 11 de Março de 1975 ocorreu a tentativa de golpe de Estado por oficiais afectos ao general António de Spínola.

 

    Na comunicação social, assinalámos três factos de grande notabilidade: a 1 de Março de 1925 iniciaram-se as primeiras emissões regulares de rádio difusão em Portugal; a 17 de Março de 1980 iniciam-se as emissões regulares da televisão a cores em Portugal; e a 24 de Março de 1989 foram concedidos os alvarás de liberalização das rádios locais.

                              

    Portugal pediu oficialmente a adesão à Comunidade Económica Europeia a 28 de Março de 1977, a 30 de Março de 1992 foram incorporadas no Exército Português as primeiras mulheres, e a 21 de Março de 1993 foi inaugurado com luxo asiático a Centro Cultural de Belém.

 

    “Os Lusíadas” foram publicados pela primeira vez a 12 de Março de 1572, e a 8 de Março comemoramos um dos dias mais bonitos, dedicado a gente bonita, o Dia Internacional da Mulher. Mas o facto mais importante associado a este mês, transcendente até, ocorreu a 15 de Março de 1751, quando o rei D. José, magnânimo na sua majestática bondade, assinou o decreto real que tornava proibido e de nulo efeito o acto medieval de colocar cornos pendurados nas portas das casas dos maridos enganados..., atitude deveras higiénica, para combater a moral rústica dos inimigos do adultério. Cousa singular em costumes bárbaros!

 

    Os campos já rebrilham (antigamente) de actividades, lavram-se as terras para a semeadura de milho e trigo, e nos climas favoráveis plantam-se o milho de sequeiro e batatas, ao mesmo tempo em que se limpam as terras cobertas de ervas daninhas invernosas, retoca-se a enxertia nos pomares.

 

    Ao lado, o povo faz a “cava”, a amanha manual do solo, por força de braços e enxadas, para a mobilização e arejamentos dos terrenos, enquanto nas adegas se engarrafa os vinhos, após a retirado do cheiro de mofo do vasilhame, e nas hortas o plantio das hortaliças é incrementado. O mês é propício e até as galináceas colaboram com o aumento da postura de ovos, à porta dum tempo mais primaveril.

 

    Falta apurar a origem da denominação para este mês, longo como um pedregoso caminho. O agora terceiro mês do ano, já teve honras merecidas de primeiro no antigo calendário romano, e é consagrado a Marte, deus da guerra na mitologia romana, do latim Martius.

 

    Os romanos, que eram dados a estas coisas, ergueram-lhe estátuas divinatórias, onde o apresentam como um homem hercúleo coberto por uma pele de loba, alusiva à terna loba que cerceou a fome e alimentou os fundadores de Roma, os lendários Rómulo e Remo, claro, inaudita proeza no prodigioso tempo em que as lobas eram dadas as estas carícias úberes e alimentícias.

 

    A esta divindade estavam associadas simbolicamente a cabra, a ave picanço e a árvore nogueira, na medida em que Marte também era o deus da fertilidade do gado, dos campos e da vegetação, flama sagrada que centuplica a vida, profusa dádiva da natureza.

 

    Etimologicamente a designação deste nome, Março, parece ter origem em maris, com o sentido de «macho, do sexo masculino». Do deus Marte derivaram outros vocábulos, como marcial (belicoso), e marciano (relativo ao planeta Marte), e os antropónimos Marçal, Marcial, Marciana, e talvez também Marcelo, cuja etimologia é duvidosa.

 

    Portanto, o deus Marte, poderoso certamente, influenciou de tal modo a humanidade, a ponto de quase todas as línguas usaram-no para denominar este mês. Assim temos Marzo em galego, castelhano e italiano, Març em catalão, Mars em francês, Martzu no dialecto da Sardenha, Marzu no dialecto da Sicília, Martie na Roménia, todas línguas novilatinas.

 

    Mas o fenómeno repete-se por toda a Europa: Marts na Dinamarca, Mars em sueco e norueguês, Marz no alemão, March em inglês, Maart no holandês, e também no País Basco, Martxo. A matriz marciana prolonga-se por esse mundo fora, com Mart no turco, Maret no bahasa indonésio, e um infindável carrear de exemplos que a paciência do leitor dispensa.

 

    Estão ali a acenar para cortar os voadouros, e convém passar aos provérbios antes que esfuzilem relâmpagos e coriscos.

 

A geada de Março tira o pão do baraço e a de Abril nem ao baraço o deixa ir.

 

Água de Março é pior que nódoa no fato.

 

Aí vem o meu irmão Março, que fará o que eu não faço.

 

Antes a estopa de Abril, que o linho de Março.

 

Bodas em Março é ser madraço.

 

Cavas em Março e arrenda pelo S. João, todos o sabem e poucos o dão.

 

Dia de Março, dia de três ventos.

 

Em Março aquece cada dia um pedaço.

 

Em Março cresce cada dia um pedaço.

 

Em Março deita-te um pedaço.

 

Em Março espetam-se as rocas e sacham-se as hortas.

 

Em Março merenda o pedaço; em Abril merenda o merendil.

 

Em Março merendica e folgaço.

 

Em Março nem migas, nem couves, nem esparto.

 

Em Março nem rabo-de-gato molhado.

 

Em Março o pão com o mato, a noite com o dia e o Pedro com a Maria.

 

Em Março onde quero eu passo.

 

Em Março ouga a erva com o sargaço.

 

Em Março queima a velha o maço.

 

Em Março tanto durmo como faço.

 

Em Março, as noites com os dias e os centeios com os matos.

 

Em Março, de manhã pinga a telha e à tarde sai a abelha.

 

Em tardes de Março recolhe teu gado.

 

Em vinte e cinco de Março, se o cuco não se ouvir, ou é morto ou não quer vir.

 

Entre Março e Abril o cuco há-de vir.

 

Entre Março e Abril se o cuco não vier, está o fim do mundo para vir.

 

Enxame de Abril vem para o covil e o de Março para o regaço.

 

Enxame de Março apanha-o no regaço, o de Abril não o deixes ir, o de Maio deixai-o fugir.

 

Fiandeira não ficaste, porque em Março não fiaste.

 

Inverno de Março e seca de Abril, deixam o lavrador a pedir.

 

Janeiro geoso, Fevereiro nevoso, Março mulinhoso, Abril chuvoso e Maio ventoso, fazem o ano formoso.

 

Março aguaço.

 

Março amoroso, Abril ventoso, Maio remeloso, fazem o ano formoso.

 

Março baço, a noite com o dia, o pão com folgaço.

 

Março chove cada dia um pedaço.

 

Março chuvoso, S. João farinhoso.

 

Março de ano bissexto, muita fome e muito mortaço.

 

Março liga a noite com o dia, o Manel com a Maria, o pão com o pato e a erva com o baraço.

 

Março marçagão, cura meadas, esteiras não.

 

Março marçagão, de manhã cara de anjo, à noite cara de ladrão.

 

Março marçagão, de manhã cara de rainha, de tarde corta com a foucinha.

 

Março marçagão, de manhã focinho de cão, ao meio-dia de rainha e à noite de fuinha.

 

Março marçagão, manhãs de Inverno, tardes de Verão.

 

Março marcegão, pela manhã rosto de cão, e à tarde de bom Verão.

 

Março marceja, pela manhã chove e à tarde colmeja.

 

Março molha o rabo ao gato, se Fevereiro ficar farto.

 

Março molinhoso, S. João farinhoso.

 

Março o cria, Março o fia.

 

Março pardo, antes enxuto que molhado.

 

Março queima a dama no paço.

 

Março ventoso e Abril chuvoso, do bom colmear farão astroso.

 

Março ventoso, Abril chuvoso.

 

Março virado de rabo, é pior que o Diabo.

 

Março zangado é pior que o Diabo.

 

Nasce a erva em Março, ainda que lhe dêem com um maço.

 

O grão em Março, nem na terra, nem no saco.

 

Páscoa em Março, ou fome ou mortaço.

 

Poda em Março, vindima no regaço.

 

Quando em Março arrulha a perdiz, ano feliz.

 

Quando vem Março ventoso, Abril sai chuvoso.

 

Quem em Março açoreou, tarde acordou, mas quem a sua maçaroca ficou, com ela se achou.

 

Quem em Março não merenda, aos mortos se encomenda.

 

Quem em Março relva, não tem pão nem erva.

 

Quem não poda até Março, vindima no regaço.

 

Se queres bom cabaço, semeia em Março.

 

Se trovejar em Março, semeia altos e baixos.

 

Sol de Março, queima a dama no paço.

 

Vento de Março e chuva de Abril, fazem o vinho florir.

 

Vento de Março, chuva de Abril, fazem o Maio florir e sorrir.

 

Vinho de Março, nem vai ao regaço.

 



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Quinta-feira, 1 de Março de 2007
COURA LÍRICA: Antologia Poética de Autores Courenses - LXVI

FRANCISCO PIRES ZINÃO

(Carreço, 1786 + ?)

 

Caiador; poeta popular.

 

O vizinho caçador assassino involuntário – Terceira Parte

 

E o pai ficou sufocado,

E a gente que levava

Fica toda admirada

Em me vendo amortalhado;

 

Eu de pé alevantado

No salgueiral que ali estava

Largo a pomba que levava,

Com o fósforo que ardia,

Quem olhava bem a via

Pelo ar como voava.

 

Logo o velho ajoelhou

Aonde a filha morreu,

De repente requereu

À pomba quando voou:

 

«Perdoa a quem me matou,

(respondi amortalhado)

Se queres ser ajudado

De um Deus que te deu o ser,

Não me matou por querer

Merece ser perdoado».

 

Cheio o pai de confusão

Manda chamar o culpado

Não só para ser perdoado

Mas para lhe pedir perdão:

 

Assim embolsa o Zinão

Muito em segredo a premissa

E o pai cheio de cobiça

Com amizade e amor,

Perdoa pois ao matador,

E o livra da justiça.

 



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Quarta-feira, 28 de Fevereiro de 2007
COURA LÍRICA: Antologia Poética de Autores Courenses - LXV

FRANCISCO PIRES ZINÃO

(Carreço, 1786 + ?)

 

Caiador; poeta popular.

 

O vizinho caçador assassino involuntário – Segunda Parte

 

Por dez moedas ajustei

Arranjar perdão da parte;

Quero-vos contar por que arte

Minha vitória ganhei:

 

Uma mortalha arranjei,

Pelo preço de um cruzado,

E depois de preparado

De noite vesti-a eu,

E aonde a moça morreu

Me fui pôr amortalhado.

 

Uma pomba que levava,

Era branca, reluzia,

Quando alguém eu pressentia

Logo ao ar a lançava:

 

A uma perna lhe atava

Por um cordelhinho presa,

Uma pouca de isca acesa

Que todos pudessem vê-la,

Imitando uma estrela

Do Autor da Natureza.

 

Constou lá na freguesia

Nas bocas do poviléu,

Que aonde a moça morreu

Alguma coisa aparecia.

 

Eu que decerto sabia

Que o pai se ia informar,

Tratei de me amortalhar,

No salgueiral me escondi,

E com arrogância apareci

Quando o pai ia a chegar.

                                   

 [Continua amanhã]

                                              



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Terça-feira, 27 de Fevereiro de 2007
COURA LÍRICA: Antologia Poética de Autores Courenses - LXIV

FRANCISCO PIRES ZINÃO

(Carreço, 1786 + ?)

 

Caiador; poeta popular.

 

O vizinho caçador assassino involuntário – Primeira Parte

 

Foi à caça um meu vizinho

Com a arma caçadeira,

Matou uma lavradeira

Por desgraça, coitadinho,

A saltar por um caminho

A arma se disparou,

E a mulher encontrou

O chumbo que despediu:

Morta redonda caiu,

A infeliz ali findou.

 

O pai era lavrador

Rico e muito teimoso,

Por sua filha, extremoso,

Culpa logo o matador!

 

Muitos homens de valor

Nessa mesma ocasião

Pediram por devoção

Ao pai que lhe perdoasse;

Mas por mais que se teimasse,

Nunca o pai lhe deu perdão.

 

Foge o moço desabrido

Por esse mundo além,

Sem que soubesse alguém

Aonde estava metido:

 

Um dia foi ter comigo,

O moço, sem o pensar,

Tratámos em ajustar

Nessa mesma ocasião

Arranjando-lhe perdão

Quanto me havia de dar.

                                    

[Continua amanhã]

                  



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Segunda-feira, 26 de Fevereiro de 2007
LINGUÍSTICA DE COURA: Nótulas Sobre o Falar de Paredes de Coura – XLIII
PRONÚNCIAS DIALECTAIS

Continuámos hoje com mais alguns vocábulos, que são iguais aos da linguagem comum, na forma e significado, divergindo somente pela pronúncia que lhes pertence e que são causa de desfiguração fonética.

 

CUMcom. É a forma dita antes de palavra que não seja artigo, nem pronome átono começado por vogal, nem adjectivo determinativo começado por vogal:

Cum binho = com vinho.

Cum auga = com água.

Cum nós = connosco.

 

Antes de palavras que não estejam nas condições descritas:

Co’a tchuba = com a chuva.

Co’este = com este.

C’os dous = com os dois.

C’uns bois = com uns bois.

C’úa pinga = com uma pinga.

 

CUMBÓIOcomboio.

 

CUMOcomo. O emprego geralmente proclítico deste vocábulo tornou-o vogal surda, mesmo.

 

CUNTAR contar. A prolação assim da nasal só se verifica se o acento recai na flexão.

 



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Domingo, 25 de Fevereiro de 2007
50 Anos da Edição de “A Casa Grande de Romarigães” V

 Depoimentos Sobre “A Casa Grande de Romarigães”

 

(...) o lançamento de A Casa Grande de Romarigães decorreu nesta sala (...). Estava sen­tada a dactilografar e Aquilino, de pé, à roda do quarto, a passear de um lado para o outro, ia ditando, tranquilamente. Houve alturas em que saiu de jacto. (...)

                                    

Fomos a Paredes de Coura após insistir muito com ele. Apesar do seu apego à Soutosa, apaixonou-se pela Senhora do Amparo em Romarigães. Se soubesse, não o tinha levado lá. Quis ficar com aquilo. Nada o demoveu.

 

D. JERÓNIMA Rosa DANTAS MACHADO Ribeiro (1897 + 1987) [neta do conselheiro Miguel Dantas, filha do dr. Bernardino Machado e mulher do escritor Aquilino Ribeiro].

 


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Sábado, 24 de Fevereiro de 2007
Cozinha Tradicional do Minho V
 CALDO SECO À MODA DO MINHO (Sopa Seca)

 

Género: sopa.

 

Quantidade: para 5 pessoas.

 

Ingredientes:

300 gramas de pão de trigo; ½ galhinha; 250 gramas de carne de vaca; ½ salpicão; 125 gramas de presunto; 2,5 litros de água; 2 couves portuguesas; 1 ramo de hortelã.

 

Modo de fazer:

Deita-se numa panela a água e, quando esta começar a ferver, junta-se a galinha, a carne de vaca, o presunto e o salpicão.

 

Deixa-se cozer durante 2 horas.

 

Em seguida introduzem-se as couves previamente arranjadas e deixa-se ferver durante mais uma hora.

 

Fora do lume retiram-se as carnes, adiciona-se o pão cortado em fatias e a hortelã.

 

Cortam-se as carnes em bocados e volta-se a misturar com a sopa.

 

Deita-se esta num alguidar de barro e leva-se ao forno a tostar.

 

Observações:

Pode regar-se com um pouco de molho de assar vitela ou peru, previamente desengordurado.

 

 

                            


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